When you need to sleep
Às vezes, quando você precisa dormir,
sua mente não se cala.
Todas as dores do mundo gritam
te clamando como se você fosse o dono delas.
Como quando você traga um pouco da fumaça do fósforo ao acender o cigarro.
Não era o esperado, mas ela vem.
Mas ao contrário dessa metáfora fraca,
a sensação permanece.
Como um viciado, você acende outro fósforo.
E outro.
E outro.
E a caixa de fósforos acaba.
E suas razões todas se foram,
mas a fumaça do fósforo continua ali.
E a felicidade, será que é falsa?
E esse novo amor, será que é falso?
Platonismos à parte,
se não houvesse morte na história,
tudo seria diferente.
Menos escuro, talvez.
Mas é isso,
às vezes, quando você precisa dormir
e sua mente não se cala,
tudo que resta é remoer e escrever.
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*.mp3 - Placebo - In The Cold Light Of Morning
*.txt - Anthony Burgess's 1985
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*.dvd - Love And War
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21 de jan. de 2013
28 de mai. de 2012
Trânsito I
Toda noite, pneus gritam o seu nome. Freiam pra te evitar, obstáculo que se tornou. Entre mim e a felicidade, só há um monumento à você. Mas não freio, não pra você. Acelero. Te atinjo, todas as noites, com todas as forças. Mesmo sabendo que isso me deixa estagnado, batendo de todos os lados, sempre distante da felicidade.
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*.mp3 - Set Fire To Flames - When Sorrow Shoots Her Darts
*.txt - Chuck Palahniuk's Stranger Than Fiction
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Toda noite, pneus gritam o seu nome. Freiam pra te evitar, obstáculo que se tornou. Entre mim e a felicidade, só há um monumento à você. Mas não freio, não pra você. Acelero. Te atinjo, todas as noites, com todas as forças. Mesmo sabendo que isso me deixa estagnado, batendo de todos os lados, sempre distante da felicidade.
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*.mp3 - Set Fire To Flames - When Sorrow Shoots Her Darts
*.txt - Chuck Palahniuk's Stranger Than Fiction
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19 de abr. de 2012
29 de mar. de 2012
26 de mar. de 2012
26 de fev. de 2012
23 de fev. de 2012
Stoppd

Na casa onde o tempo parou, no dia em que você saiu de lá para nunca mais voltar.
Há o seu sorvete no freezer. Virou uma massa que nem Chinaski comeria.
Há um pacote de Oreo pela metade no armário, devidamente coberto de teias de aranha.
Há uma garrafa de vinho pela metade, na geladeira. Se vinho bom é vinho envelhecido, este é o melhor do mundo.
Há crises de choro.
Há textos. Sobre mim. Sobre Joni.
Há você lá. Por todos os lados. Só falta seu corpo.
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*.mp3 - Pato Fu - Canção Pra Você Viver Mais
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Na casa onde o tempo parou, no dia em que você saiu de lá para nunca mais voltar.
Há o seu sorvete no freezer. Virou uma massa que nem Chinaski comeria.
Há um pacote de Oreo pela metade no armário, devidamente coberto de teias de aranha.
Há uma garrafa de vinho pela metade, na geladeira. Se vinho bom é vinho envelhecido, este é o melhor do mundo.
Há crises de choro.
Há textos. Sobre mim. Sobre Joni.
Há você lá. Por todos os lados. Só falta seu corpo.
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*.mp3 - Pato Fu - Canção Pra Você Viver Mais
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22 de fev. de 2012
Dear C.

"I collected all the letters I’d ever meant to send to you, if I’d have ever made it to the mainland but had instead collected at the bottom of my rucksack, and I spread them out along the lost beach. Then I took each and every one and I folded them into boats. I folded you into the creases and then, as the sun was setting, I set the fleet to sail. Shattered into twenty-one pieces, I consigned you to the Atlantic, and I sat here until I’d watched all of you sink."
Dan Pinchbec
*.log - house
*.mp3 - Jessica Curry - Always
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*.iso - Dear Esther
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"I collected all the letters I’d ever meant to send to you, if I’d have ever made it to the mainland but had instead collected at the bottom of my rucksack, and I spread them out along the lost beach. Then I took each and every one and I folded them into boats. I folded you into the creases and then, as the sun was setting, I set the fleet to sail. Shattered into twenty-one pieces, I consigned you to the Atlantic, and I sat here until I’d watched all of you sink."
Dan Pinchbec
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*.mp3 - Jessica Curry - Always
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*.iso - Dear Esther
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16 de fev. de 2012
Ethereal

Oh, and what about that?
'That' that shatters the barriers of time. And life. And death.
That.
No picture can hold that.
No song can describe that.
There's no word for that.
Oh, what about that?
It's more like a hook.
It's more like an inter-dependencie.
It's more like a needed mutual parasite relation.
It's not like love, hate or any simple word.
It's more than that.
It was her. And me.
It was us.
And what we never had time to be.
That.
We almost become.
And there, in the fringe of perfection, is where she lies.
In there. I try to raise and grab her, but it's ethereal.
Too late.
That's gone.
She's nothing, now.
We're nothing, now.
And I...
Well, that, I'll just wait.
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Oh, and what about that?
'That' that shatters the barriers of time. And life. And death.
That.
No picture can hold that.
No song can describe that.
There's no word for that.
Oh, what about that?
It's more like a hook.
It's more like an inter-dependencie.
It's more like a needed mutual parasite relation.
It's not like love, hate or any simple word.
It's more than that.
It was her. And me.
It was us.
And what we never had time to be.
That.
We almost become.
And there, in the fringe of perfection, is where she lies.
In there. I try to raise and grab her, but it's ethereal.
Too late.
That's gone.
She's nothing, now.
We're nothing, now.
And I...
Well, that, I'll just wait.
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15 de fev. de 2012
heimskur

Por algum motivo masoquista, me veio a cabeça aquela sessão de cinema que fomos. O homem que virou suco. Naquele cinema pequeno, que depois de alguns meses faliu. Lá, naquele dia, eu conheci a sua moto. E te falei de como você iria cair dela algum dia. E logo após essa memória, que me veio enquanto eu sentia com os dedos os machucados na minha cabeça (causados pela tintura), me veio a imaginação. Sua última palavra. "Porra"? "Merda"? Ou, nem isso. Um simples "Ai". E a imaginação, mais uma vez, me vem dizer o que poderia ter acontecido.
- C.! Onde você tá?
- Tô no hospital, sofri um acidente.
- Tá bem?
- Tô, tô, quebrei a perna e uns dedos da mão, mas vou sobreviver.
E a realidade me bate na cara. Nem tetraplégica ela ficou. Nem em coma. Nem um vegetal pra eu falar oi. Nem um corpo. E minha avó se espantou quando eu disse que fui ao cemitério visita-la. "Você acredita nessas coisas?" ela me disse. Nunca acreditei. Mas preciso. Preciso me agarrar a algo inexistente pra manter a minha existência.
Malditas imaginação e realidade que não se entendem.
*.log - house
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*.iso - The Blackwell Unbound
*.dvd - Fringe - The Complete 3rd Season

Por algum motivo masoquista, me veio a cabeça aquela sessão de cinema que fomos. O homem que virou suco. Naquele cinema pequeno, que depois de alguns meses faliu. Lá, naquele dia, eu conheci a sua moto. E te falei de como você iria cair dela algum dia. E logo após essa memória, que me veio enquanto eu sentia com os dedos os machucados na minha cabeça (causados pela tintura), me veio a imaginação. Sua última palavra. "Porra"? "Merda"? Ou, nem isso. Um simples "Ai". E a imaginação, mais uma vez, me vem dizer o que poderia ter acontecido.
- C.! Onde você tá?
- Tô no hospital, sofri um acidente.
- Tá bem?
- Tô, tô, quebrei a perna e uns dedos da mão, mas vou sobreviver.
E a realidade me bate na cara. Nem tetraplégica ela ficou. Nem em coma. Nem um vegetal pra eu falar oi. Nem um corpo. E minha avó se espantou quando eu disse que fui ao cemitério visita-la. "Você acredita nessas coisas?" ela me disse. Nunca acreditei. Mas preciso. Preciso me agarrar a algo inexistente pra manter a minha existência.
Malditas imaginação e realidade que não se entendem.
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11 de fev. de 2012
Na Falta De Outro, Seja Um

Às vezes dá uma vontade horrível de escrever, mas as idéias não chegam.
Aí eu penso em alguma história,
e tento lembrar detalhes da minha vida.
E eu esqueci. Tantas coisas aconteceram, e eu só sei o resumo.
Já tentei escrever sobre meu passado, e cada vez que leio, noto quanto falta. Quantas coisas já saíram da minha memória. E aquela que deveria ter saído há tempos, não sai.
Às vezes, me pego pensando: "E se eu nunca tivesse a conhecido?" ou "E se ela tivesse chegado em casa, aquele dia?". E se qualquer coisa diferente fosse verdade? Essas possibilidades me assustam. Me incomodam. Profundamente. Fico paranóico. Paranóico de verdade. Analisando milhões de possibilidades, tentando dividir a culpa com o mundo. Tentando achar onde eu deveria ter feito diferente, e o que aconteceria se, de fato, eu tivesse feito qualquer coisa diferente. Qualquer coisa. E acabo indo por um caminho mentalmente opressivo. O que faço agora, neste exato momento, está mudando meu futuro. O que eu faço agora, neste exato momento, dá mais vida à uma ou mais pessoas e menos a outra. E eu? Me incluo em qual? O que me parece é: a cada noite dessas, acordado, lembrando dela, é um dia que me aproximo mais de morrer.
Morrer é fácil. Métodos são fáceis. Mas alguma coisa em mim me segura. A saudade de me sentir bem, talvez. A esperança estúpida de algum dia eu encontrar uma moça que supere o que a C. foi pra mim. A esperança FALSA e ESTÚPIDA.
Tento negar o óbvio para evitar o inevitável: "Não existe outra, Elísio, pode se matar."
- Lembra que você desejou a morte de alguém que você amasse, para justificar a tristeza? Para as pessoas sentirem dó de você?
- Não era pra ser ela.
- Quem mais você amou?
- Não era pra ser ela.
- Era pra ser quem?
- Qualquer outra ex. Alguém que fosse sumir da minha vida de qualquer forma, como fizeram. Não era pra ser minha melhor amiga. Meu maior e único amor.
- Até agora.
- Duvido.
- Não duvide.
- Não me venha com frases otimistas. Não me subestime.
- Não exija tanto das pessoas. Ela era incrível, você nunca vai achar ninguém igual, então diminua seus ideais.
- Jamais.
- Não seja teimoso.
- Por que devo negar o que acho certo? Por que devo querer algo abaixo do perfeito? Eu mereço. Principalmente agora.
- A vida não tem esse tipo de justiça. Não basta merecer, Elísio.
- O que mais você quer que eu faça?
- Corra atrás, ora!
- "Corra atrás, ora" é o meu caralho. Quando fui correr atrás da C., você viu o que aconteceu. Ela morreu indo me ver. ELA MORREU INDO PRA PORRA DA MINHA CASA.
- Calma mano.
- ... [começa a chorar]
- Não chora Elísio. Não chora.
- Vai se foder.
- As coisas vão dar certo. Você vai ver. A vida tem ondas de sorte e azar. Considere a morte da C. como o ápice da sua onda de azar. Considere que nunca mais algo vai te deixar tão mal. Não posso dizer que daqui pra frente vai ser só alegria, mas, olha só, o pior dia da sua vida já passou. Lembra que você dizia pra você mesmo "Calma, amanhã vai ser pior"?
- Hm.
- Então. Não vai mais. Nunca mais.
- Mas as coisas não melhoram. As coisas não melhoram. Não é questão de onda passar, nem ápice. Estou nessa constante desde o dia que ela se foi. Não vou mentir e dizer que não melhorou nem um pouco, mas foi nada comparado à como eu estava antes. Antes dela morrer, eu estava contemplando suicídio, como em toda minha vida. E agora? O que me resta? Eu não estava dramatizando, cara. Eu estava realmente vazio. Realmente sem propósito. E agora? Heim? Você entendeu? Eu já estava mal. Eu já estava mal pra caralho. Fui falar com ela por que ela me ajudava. Não ajudava necessariamente, mas me entendia. E tinha praticamente a mesma vida que eu. Acordada a noite, vagabunda, poeta fajuta. Me sinto ridículo toda vez que chego a essa conclusão, mas ela era minha alma gêmea cara... [a última silaba quase não saí. explode um choro infantil, com soluços e nariz escorrendo]
- Elísio...
- E-e-eu se-sei que sou paté.. [assoa o nariz] ..patético...
- Não é... Considerando o que você tem passado...
- E tem essa moça que me ajuda. Me dá uns momentos de alegria... eu tento me agarrar a ela, mas basta ela não estar perto pra eu voltar pra merda...
- Eu sei dela.
- Ela ajuda de perto, mas de longe fica indiferente...
- Que merda isso. Você devia se afastar dela.
- Não posso.
- Por que não? Ela não merece sua canalhice.
- Canalhice??? É o mínimo que eu mereço. Um pouco de alegria.
- Mas qual o preço?
- Não sei cara. Deixa eu ser inconsequente um pouco. Como a C. seria.
- Não pode Elísio... Você vai magoar alguém assim...
- Eu não sou responsável pelos outros.
- Fala isso pra culpa que vai sentir depois.
- Não vou sentir culpa por que não estou contando nenhuma mentira. Está tudo às claras.
- Menos mal. Mas mesmo assim. Você não deveria...
- Não deveria o caralho. Foda-se. Se me faz um pouco bem, eu faço. Deixa alguma coisa na minha vida ser boa.
- E se acabar?
- Se? [riso sarcástico] Quando acabar, eu executo meu plano.
- Não vai usar isso como ameaça pra prolongar as coisas não né?
- Pelo contrário.
- Ela sabe das suas intenções?
- Sabe.
- Hm. Não vai deixar ela se sentindo culpada?
- Todo mundo que me conhece vai se sentir culpado. Mas isso não é por causa de eu ter me matado. Veja com a C., por exemplo. Ela morreu num acidente. A minha lógica diz que apenas eu fui o culpado. Quer dizer, em grande parte. Por ter falado a ela que poderia ir pra casa. Mas o padrasto dela também se sentiu. E os amigos. E a mãe. Deus, até o gato dela.
- Não entendi.
- Em resumo: para mortes trágicas, como acidentes e suicídios, é comum as pessoas que ficam se sentirem culpadas. Pra acabar com essa culpa, só se eu pegar uma doença crônica ou morrer de velho. Ou matar todo mundo comigo!
- Ridículo.
- É.
- Esse texto já tá ficando grande demais. Assim espanta as pessoas.
- Foda-se.
- Chega.
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*.mp3 - Beethoven - Piano Sonata No. 14, Op. 27: I. Quasi Una Fantasia
*.txt - J.M. Wisnik - O Som E O Sentido
*.iso - The Blackwell Legacy
*.dvd - 'night Mother

Às vezes dá uma vontade horrível de escrever, mas as idéias não chegam.
Aí eu penso em alguma história,
e tento lembrar detalhes da minha vida.
E eu esqueci. Tantas coisas aconteceram, e eu só sei o resumo.
Já tentei escrever sobre meu passado, e cada vez que leio, noto quanto falta. Quantas coisas já saíram da minha memória. E aquela que deveria ter saído há tempos, não sai.
Às vezes, me pego pensando: "E se eu nunca tivesse a conhecido?" ou "E se ela tivesse chegado em casa, aquele dia?". E se qualquer coisa diferente fosse verdade? Essas possibilidades me assustam. Me incomodam. Profundamente. Fico paranóico. Paranóico de verdade. Analisando milhões de possibilidades, tentando dividir a culpa com o mundo. Tentando achar onde eu deveria ter feito diferente, e o que aconteceria se, de fato, eu tivesse feito qualquer coisa diferente. Qualquer coisa. E acabo indo por um caminho mentalmente opressivo. O que faço agora, neste exato momento, está mudando meu futuro. O que eu faço agora, neste exato momento, dá mais vida à uma ou mais pessoas e menos a outra. E eu? Me incluo em qual? O que me parece é: a cada noite dessas, acordado, lembrando dela, é um dia que me aproximo mais de morrer.
Morrer é fácil. Métodos são fáceis. Mas alguma coisa em mim me segura. A saudade de me sentir bem, talvez. A esperança estúpida de algum dia eu encontrar uma moça que supere o que a C. foi pra mim. A esperança FALSA e ESTÚPIDA.
Tento negar o óbvio para evitar o inevitável: "Não existe outra, Elísio, pode se matar."
- Lembra que você desejou a morte de alguém que você amasse, para justificar a tristeza? Para as pessoas sentirem dó de você?
- Não era pra ser ela.
- Quem mais você amou?
- Não era pra ser ela.
- Era pra ser quem?
- Qualquer outra ex. Alguém que fosse sumir da minha vida de qualquer forma, como fizeram. Não era pra ser minha melhor amiga. Meu maior e único amor.
- Até agora.
- Duvido.
- Não duvide.
- Não me venha com frases otimistas. Não me subestime.
- Não exija tanto das pessoas. Ela era incrível, você nunca vai achar ninguém igual, então diminua seus ideais.
- Jamais.
- Não seja teimoso.
- Por que devo negar o que acho certo? Por que devo querer algo abaixo do perfeito? Eu mereço. Principalmente agora.
- A vida não tem esse tipo de justiça. Não basta merecer, Elísio.
- O que mais você quer que eu faça?
- Corra atrás, ora!
- "Corra atrás, ora" é o meu caralho. Quando fui correr atrás da C., você viu o que aconteceu. Ela morreu indo me ver. ELA MORREU INDO PRA PORRA DA MINHA CASA.
- Calma mano.
- ... [começa a chorar]
- Não chora Elísio. Não chora.
- Vai se foder.
- As coisas vão dar certo. Você vai ver. A vida tem ondas de sorte e azar. Considere a morte da C. como o ápice da sua onda de azar. Considere que nunca mais algo vai te deixar tão mal. Não posso dizer que daqui pra frente vai ser só alegria, mas, olha só, o pior dia da sua vida já passou. Lembra que você dizia pra você mesmo "Calma, amanhã vai ser pior"?
- Hm.
- Então. Não vai mais. Nunca mais.
- Mas as coisas não melhoram. As coisas não melhoram. Não é questão de onda passar, nem ápice. Estou nessa constante desde o dia que ela se foi. Não vou mentir e dizer que não melhorou nem um pouco, mas foi nada comparado à como eu estava antes. Antes dela morrer, eu estava contemplando suicídio, como em toda minha vida. E agora? O que me resta? Eu não estava dramatizando, cara. Eu estava realmente vazio. Realmente sem propósito. E agora? Heim? Você entendeu? Eu já estava mal. Eu já estava mal pra caralho. Fui falar com ela por que ela me ajudava. Não ajudava necessariamente, mas me entendia. E tinha praticamente a mesma vida que eu. Acordada a noite, vagabunda, poeta fajuta. Me sinto ridículo toda vez que chego a essa conclusão, mas ela era minha alma gêmea cara... [a última silaba quase não saí. explode um choro infantil, com soluços e nariz escorrendo]
- Elísio...
- E-e-eu se-sei que sou paté.. [assoa o nariz] ..patético...
- Não é... Considerando o que você tem passado...
- E tem essa moça que me ajuda. Me dá uns momentos de alegria... eu tento me agarrar a ela, mas basta ela não estar perto pra eu voltar pra merda...
- Eu sei dela.
- Ela ajuda de perto, mas de longe fica indiferente...
- Que merda isso. Você devia se afastar dela.
- Não posso.
- Por que não? Ela não merece sua canalhice.
- Canalhice??? É o mínimo que eu mereço. Um pouco de alegria.
- Mas qual o preço?
- Não sei cara. Deixa eu ser inconsequente um pouco. Como a C. seria.
- Não pode Elísio... Você vai magoar alguém assim...
- Eu não sou responsável pelos outros.
- Fala isso pra culpa que vai sentir depois.
- Não vou sentir culpa por que não estou contando nenhuma mentira. Está tudo às claras.
- Menos mal. Mas mesmo assim. Você não deveria...
- Não deveria o caralho. Foda-se. Se me faz um pouco bem, eu faço. Deixa alguma coisa na minha vida ser boa.
- E se acabar?
- Se? [riso sarcástico] Quando acabar, eu executo meu plano.
- Não vai usar isso como ameaça pra prolongar as coisas não né?
- Pelo contrário.
- Ela sabe das suas intenções?
- Sabe.
- Hm. Não vai deixar ela se sentindo culpada?
- Todo mundo que me conhece vai se sentir culpado. Mas isso não é por causa de eu ter me matado. Veja com a C., por exemplo. Ela morreu num acidente. A minha lógica diz que apenas eu fui o culpado. Quer dizer, em grande parte. Por ter falado a ela que poderia ir pra casa. Mas o padrasto dela também se sentiu. E os amigos. E a mãe. Deus, até o gato dela.
- Não entendi.
- Em resumo: para mortes trágicas, como acidentes e suicídios, é comum as pessoas que ficam se sentirem culpadas. Pra acabar com essa culpa, só se eu pegar uma doença crônica ou morrer de velho. Ou matar todo mundo comigo!
- Ridículo.
- É.
- Esse texto já tá ficando grande demais. Assim espanta as pessoas.
- Foda-se.
- Chega.
*.log - house
*.mp3 - Beethoven - Piano Sonata No. 14, Op. 27: I. Quasi Una Fantasia
*.txt - J.M. Wisnik - O Som E O Sentido
*.iso - The Blackwell Legacy
*.dvd - 'night Mother
30 de jan. de 2012
Jónsi.

Há um tambor no fundo.
E um agudo no primeiro plano.
Entre essas camadas, algo como um theremin segue o ritmo do tambor e as notas do agudo.
Essa combinação me traz milhões de cenas à cabeça.
E essas cenas me enchem os olhos.
Há tantas coisas que não encostei desde que você se foi.
E tantas que eu jamais teria encostado se você estivesse aqui.
Do que não encostei e do que não encostaria,
não sinto dor.
Só a sua é que vem.
Claro, só você é que eu não posso encostar.
A vida esfrega suas ironias na minha cara,
aprendi com ela a ironizar os outros.
Outros que ficam espantados com a minha frieza.
Ficariam mais espantados se soubessem o que se passa por trás do meu sarcasmo.
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*.mp3 - Sigur Rós - Untitled #4: Njósnavélin
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Há um tambor no fundo.
E um agudo no primeiro plano.
Entre essas camadas, algo como um theremin segue o ritmo do tambor e as notas do agudo.
Essa combinação me traz milhões de cenas à cabeça.
E essas cenas me enchem os olhos.
Há tantas coisas que não encostei desde que você se foi.
E tantas que eu jamais teria encostado se você estivesse aqui.
Do que não encostei e do que não encostaria,
não sinto dor.
Só a sua é que vem.
Claro, só você é que eu não posso encostar.
A vida esfrega suas ironias na minha cara,
aprendi com ela a ironizar os outros.
Outros que ficam espantados com a minha frieza.
Ficariam mais espantados se soubessem o que se passa por trás do meu sarcasmo.
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*.mp3 - Sigur Rós - Untitled #4: Njósnavélin
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26 de jan. de 2012
Scotoma

Sinto que há algo de incrível na vida.
Algo de incrível nela, ou em mim.
Por mais que eu tente não ser feliz,
as vezes eu não consigo.
E por mais que eu tente ser feliz,
eu nunca consigo.
Basta aceitar pra acabar.
Sou temente à tudo que me persegue.
Sou temente à tudo que não me deixa.
A tristeza.
Sou temente à ela.
Mas sou grato, pela inspiração que ela me traz.
Em tempos de guerra interna,
a paz é ela que dá.
Mas em guerras não há ganhadores.
Minha dor não vai partir,
independente de reforços.
Ela ajuda, em momentos rápidos,
mas em outros momentos rápidos,
vêm desejos estúpidos que tendem a estragar tudo.
Não nasci para não ser sozinho.
E quem tentar provar o contrário,
só tenho mágoas para te sufocar.
Bem, assim jamais serei feliz.
E jamais serei saciado.
Além de tudo, jamais terei prazer.
Também, jamais terei paz.
Realizações ou sucessos.
Inteligência ou esperteza.
Zeros ou uns.
E tudo que ela me traz,
é o que jamais terei.
Aceito, em vão?
Ou nego, enfim?
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Sinto que há algo de incrível na vida.
Algo de incrível nela, ou em mim.
Por mais que eu tente não ser feliz,
as vezes eu não consigo.
E por mais que eu tente ser feliz,
eu nunca consigo.
Basta aceitar pra acabar.
Sou temente à tudo que me persegue.
Sou temente à tudo que não me deixa.
A tristeza.
Sou temente à ela.
Mas sou grato, pela inspiração que ela me traz.
Em tempos de guerra interna,
a paz é ela que dá.
Mas em guerras não há ganhadores.
Minha dor não vai partir,
independente de reforços.
Ela ajuda, em momentos rápidos,
mas em outros momentos rápidos,
vêm desejos estúpidos que tendem a estragar tudo.
Não nasci para não ser sozinho.
E quem tentar provar o contrário,
só tenho mágoas para te sufocar.
Bem, assim jamais serei feliz.
E jamais serei saciado.
Além de tudo, jamais terei prazer.
Também, jamais terei paz.
Realizações ou sucessos.
Inteligência ou esperteza.
Zeros ou uns.
E tudo que ela me traz,
é o que jamais terei.
Aceito, em vão?
Ou nego, enfim?
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8 de jan. de 2012
Lucky Man

Depois do filme eu vi com ela, enquanto a gente se esmagava na cama de solteiro que tem no meu quarto, eu resolvi falar.
- Tenho uma coisa indecente pra te falar.
- Fala.
Me aproximo do ouvido dela.
- Eu te amo.
Ela abre aquele sorriso encabulado dela e diz:
- ...
- Ainda não acabei.
- Que mais?
Me aproximo do ouvido dela de novo.
- Eu te amo.
A gente fica naquela tensão pré-beijo que não devia acontecer.
E isso é tudo que eu tinha pra dizer a ela se pudesse dizer mais alguma coisa a ela.
Me imaginei dizendo isso em tantas entonações, em tantas situações. E quando ela me disse que efetivamente estava indo, eu senti algo estranho. Um incomodo. E me pareceu que todas minhas intenções, de alguma maneira, não iam dar certo. Achei que era por, mais uma vez, eu estar moldando sentimentos à situações. Depois notei que por toda minha vida, moldei minha paixão por ela em outras pessoas. E que os sentimentos que eu, com um fundo de realidade, forjava, eram baseados no sentimento real sobre ela, que eu tinha enterrado. E que todas aquelas garotas que tinham alguma coisa pra me despertar essa vontade de forjar, tinham essa alguma coisa derivada dela.
É como se eu tivesse um livro favorito e ficasse negando esse favoritismo enquanto afirmava minha preferência sobre todos aqueles a quem aquele livro influenciava. É como odiar o ódio.
Me tornei cético de você. E, dizem, eu não deveria ter sido tão cético. Esse ceticismo, que eu tinha abandonado nos dois últimos dias antes de você ir ao meu encontro, voltou quando você disse estar indo. Mas por que ele voltou exatamente nesse dia?
Por algum motivo, eu soube que não ia te ver naquele dia. Mesmo você dizendo "estou saindo daqui agora". Por algum mistério, eu soube que não ia te ver. Por isso, nem respondi. Achei que era a desconfiança que sempre tive de você.
Mas por que, exatamente nesse dia? Pra'quela frase? "Até daqui a pouco".
Por que, justamente essa frase, eu não acreditei? Justamente essa 'promessa' que não se cumpriu?
Não sei se até agora estaríamos juntos. Não sei se o nosso amor tão poético e tão velho, já teria sido morto pela rotina, mas, mesmo no pior dos casos, seria tão melhor. Mesmo que a gente tivesse brigado feio, e eu passasse a te odiar (de novo), ia ser tão melhor. E eu nem saberia o inferno que teria evitado. Da mesma forma, não tenho idéia de quantos infernos piores que o meu existem. Quantos outros infernos eu já evitei enquanto reclamava das minahs dificuldades?
Dificuldade é o caralho. O meu problema é perder as coisas boas por ficar chorando as coisas ruins.
Estou tentando aproveitar as coisas boas, mas você me persegue. Você ainda é a garota dos meus sonhos e qualquer moça com quem eu for ter alguma coisa vai ter que ter algo de você. Quem sabe eu tenho sorte e acho outra de você.
Aí eu lembro de como eu sou sortudo.
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Depois do filme eu vi com ela, enquanto a gente se esmagava na cama de solteiro que tem no meu quarto, eu resolvi falar.
- Tenho uma coisa indecente pra te falar.
- Fala.
Me aproximo do ouvido dela.
- Eu te amo.
Ela abre aquele sorriso encabulado dela e diz:
- ...
- Ainda não acabei.
- Que mais?
Me aproximo do ouvido dela de novo.
- Eu te amo.
A gente fica naquela tensão pré-beijo que não devia acontecer.
E isso é tudo que eu tinha pra dizer a ela se pudesse dizer mais alguma coisa a ela.
Me imaginei dizendo isso em tantas entonações, em tantas situações. E quando ela me disse que efetivamente estava indo, eu senti algo estranho. Um incomodo. E me pareceu que todas minhas intenções, de alguma maneira, não iam dar certo. Achei que era por, mais uma vez, eu estar moldando sentimentos à situações. Depois notei que por toda minha vida, moldei minha paixão por ela em outras pessoas. E que os sentimentos que eu, com um fundo de realidade, forjava, eram baseados no sentimento real sobre ela, que eu tinha enterrado. E que todas aquelas garotas que tinham alguma coisa pra me despertar essa vontade de forjar, tinham essa alguma coisa derivada dela.
É como se eu tivesse um livro favorito e ficasse negando esse favoritismo enquanto afirmava minha preferência sobre todos aqueles a quem aquele livro influenciava. É como odiar o ódio.
Me tornei cético de você. E, dizem, eu não deveria ter sido tão cético. Esse ceticismo, que eu tinha abandonado nos dois últimos dias antes de você ir ao meu encontro, voltou quando você disse estar indo. Mas por que ele voltou exatamente nesse dia?
Por algum motivo, eu soube que não ia te ver naquele dia. Mesmo você dizendo "estou saindo daqui agora". Por algum mistério, eu soube que não ia te ver. Por isso, nem respondi. Achei que era a desconfiança que sempre tive de você.
Mas por que, exatamente nesse dia? Pra'quela frase? "Até daqui a pouco".
Por que, justamente essa frase, eu não acreditei? Justamente essa 'promessa' que não se cumpriu?
Não sei se até agora estaríamos juntos. Não sei se o nosso amor tão poético e tão velho, já teria sido morto pela rotina, mas, mesmo no pior dos casos, seria tão melhor. Mesmo que a gente tivesse brigado feio, e eu passasse a te odiar (de novo), ia ser tão melhor. E eu nem saberia o inferno que teria evitado. Da mesma forma, não tenho idéia de quantos infernos piores que o meu existem. Quantos outros infernos eu já evitei enquanto reclamava das minahs dificuldades?
Dificuldade é o caralho. O meu problema é perder as coisas boas por ficar chorando as coisas ruins.
Estou tentando aproveitar as coisas boas, mas você me persegue. Você ainda é a garota dos meus sonhos e qualquer moça com quem eu for ter alguma coisa vai ter que ter algo de você. Quem sabe eu tenho sorte e acho outra de você.
Aí eu lembro de como eu sou sortudo.
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*.mp3 - Minni
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11 de dez. de 2011
A Arte dos Porcos

Eu não alcanço mais nada.
Fico perdido nas noites, com as pessoas dormindo ou festejando. Fico perdido, tentando viver vidas que não são minhas. Você pode estar viva em outro universo. Posso não ter te conhecido em outro universo. Milhões de possibilidades e alguém (eu) tinha que viver esta.
Me proponho a sair e o sol se esconde de mim.
Nascente de rio por armas de fogo.
Aquele palhaço sem graça, que as pessoas riem por estarem no lugar certo.
Caixinhas se abrem automaticamente para mim, mas não há nada dentro. Procuro por mensagens secretas, como sempre, como se alguém estivesse tentando me dar sinais, falar comigo em cógidos, a língua do p.
E em algum outro universo qualquer, eu sou uma pessoa feliz. Em algum outro universo qualquer, eu sou real.
Me proponho a sair e a água me saúda. Lá fora, água doce. Aqui, água salgada. Sem nenhum motivo de ser.
Ora, quem em sã consciência me deixaria tocar em uma arma sabendo dos meus desejos? Quanto disso é inútil, quanto disso é atuação? Quanto disso é tristeza iniciada por suposições absurdas?
Suponha, por absurdo, que ela seria minha. Suponha, por absurdo, que ela curaria minhas vontades. Suponha, por absurto, que eu curaria a ela. Suponha, por absurdo (e que absurdo), que seriamos felizes juntos, após tanto tempo nos negando a chance de tentar. Suponha, por absurdo, que a felicidade não é uma estrela que te queima viciosamente quando se dirige o olhar diretamente a ela. Suponha, por absurdo, que minha mente se acalmaria com ela.
Em algum universo, o absurdo é óbvio.
Se eu tivesse opções, o mais seguro seria viver num universo onde estou morto.
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*.mp3 - Morrissey - Life Is A Pigsty
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Eu não alcanço mais nada.
Fico perdido nas noites, com as pessoas dormindo ou festejando. Fico perdido, tentando viver vidas que não são minhas. Você pode estar viva em outro universo. Posso não ter te conhecido em outro universo. Milhões de possibilidades e alguém (eu) tinha que viver esta.
Me proponho a sair e o sol se esconde de mim.
Nascente de rio por armas de fogo.
Aquele palhaço sem graça, que as pessoas riem por estarem no lugar certo.
Caixinhas se abrem automaticamente para mim, mas não há nada dentro. Procuro por mensagens secretas, como sempre, como se alguém estivesse tentando me dar sinais, falar comigo em cógidos, a língua do p.
E em algum outro universo qualquer, eu sou uma pessoa feliz. Em algum outro universo qualquer, eu sou real.
Me proponho a sair e a água me saúda. Lá fora, água doce. Aqui, água salgada. Sem nenhum motivo de ser.
Ora, quem em sã consciência me deixaria tocar em uma arma sabendo dos meus desejos? Quanto disso é inútil, quanto disso é atuação? Quanto disso é tristeza iniciada por suposições absurdas?
Suponha, por absurdo, que ela seria minha. Suponha, por absurdo, que ela curaria minhas vontades. Suponha, por absurto, que eu curaria a ela. Suponha, por absurdo (e que absurdo), que seriamos felizes juntos, após tanto tempo nos negando a chance de tentar. Suponha, por absurdo, que a felicidade não é uma estrela que te queima viciosamente quando se dirige o olhar diretamente a ela. Suponha, por absurdo, que minha mente se acalmaria com ela.
Em algum universo, o absurdo é óbvio.
Se eu tivesse opções, o mais seguro seria viver num universo onde estou morto.
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17 de nov. de 2011
Gêmeos Com Mesmo Nome

Sonhei com uma irmã gêmea.
E, mesmo durante os ótimos momentos que passamos,
eu ficava desconfiado.
"Ela não tinha irmã gêmea."
Ao fim, alguém me ligava do hospital.
E eu, assutado.
E era ela, passando um trote.
Ela não tinha irmã gêmea.
Sinto dor pelo sonho.
Sinto dor por ela.
Hoje vai ser um dia comprido.
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*.mp3 - The Smiths - The Queen Is Dead
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*.iso - Skyrim
*.dvd - Breaking Bad - 4th Season

Sonhei com uma irmã gêmea.
E, mesmo durante os ótimos momentos que passamos,
eu ficava desconfiado.
"Ela não tinha irmã gêmea."
Ao fim, alguém me ligava do hospital.
E eu, assutado.
E era ela, passando um trote.
Ela não tinha irmã gêmea.
Sinto dor pelo sonho.
Sinto dor por ela.
Hoje vai ser um dia comprido.
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1 de nov. de 2011
Seria Tão Melhor Se Eu Tivesse Pisado Nos Espaços Brancos

Há notícias que ouço e penso como seria se eu estivesse presente pra tentar cuidar de você. Então me lembro, dificilmente você aceitaria minha ajuda, assim, sem achar que precisa.
Ainda sonho em te ver e continuo achando que você era a pessoa certa pra mim. É ridículo pensar isso. Considerando tudo o que penso sobre a vida de forma geral, é ridículo achar que há um casal que se completa e somente um. Então me lembro, quantos casais você deixou incompletos?
Nunca desejei tanto para que algo acontecesse, e nunca me senti tão incapaz de fazer esse algo acontecer. Se lembra quando eu disse que a gente ainda ia ter o nosso tempo? Então. Naquela época, eu sabia que você ia crescer e que, talvez, eu te despertasse algo. E de fato, parece que eu despertei alguns anos depois. Era pra ter sido o nosso tempo, mas eu me neguei. Achei que você não merecia ou que queria jogar comigo de novo. Essa desconfiança eu nunca deixei de ter até falar com a sua mãe e com os seus amigos. Mas aí era tarde. Nosso tempo, que estava prestes a começar, acabou. Então eu me lembro de como tudo que eu realmente desejei nessa vida eu consegui. E de como, apesar de me sentir um incapaz muitas vezes, sempre houveram coisas que eu SABIA que era totalmente plausíveis e que bastava eu investir algum tempo e esforço para conseguir. De fato. Foi assim com você. Foi assim com a faculdade que faço. Foi assim com os empregos que consegui. Tudo que eu realmente quis, eu consegui. É um problema. Fiquei mimado, achando que o universo sempre me dá o que eu quero. Lei da Atração, dizem. Mas, ora, acho que ela não funciona dessa vez.
A morte, intransponível. A morte. Tão forte. Tão bruta. Tão aleatória. E eu não posso fazer nada quanto a ela. Só desejo. Só desejo você de volta. É idiota pensar em "ir atrás" de você. Não tenho idéia do que acontece.
A falta que você faz, agora, eu nunca senti por nada. Para todas as faltas que eu senti na vida, eu consegui preencher com algo. Com milhões de passos até reverter a situação, com textos, com músicas, com livros, com jogos, apenas para não ver o tempo passando enquanto os resultados não chegavam.
Mas e agora? Nenhum tempo é suficiente pra você chegar aqui. O tempo, que agora passa mais lento. O tempo, que ainda tenho tanto.
Você morreu, e eu ganhei 30 anos de vida.
Você morreu, e os meses passam como anos.
Há muito pra tão pouco de mim. São míseros 25 anos, dos quais apenas uns 10 com lucidez suficiente pra notar as coisas. E desses 10, 9 você esteve em algum lugar da minha cabeça, sendo citada inconscientemente em textos, sendo procurada inconscientemente em outras mulheres, sendo evitada como uma criança evita pisar nos espaços brancos das calçadas (sem a menor razão pra evitar, mas evitando mesmo assim).
Eu nunca seria feliz com você, mas eu tinha que tentar.
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Há notícias que ouço e penso como seria se eu estivesse presente pra tentar cuidar de você. Então me lembro, dificilmente você aceitaria minha ajuda, assim, sem achar que precisa.
Ainda sonho em te ver e continuo achando que você era a pessoa certa pra mim. É ridículo pensar isso. Considerando tudo o que penso sobre a vida de forma geral, é ridículo achar que há um casal que se completa e somente um. Então me lembro, quantos casais você deixou incompletos?
Nunca desejei tanto para que algo acontecesse, e nunca me senti tão incapaz de fazer esse algo acontecer. Se lembra quando eu disse que a gente ainda ia ter o nosso tempo? Então. Naquela época, eu sabia que você ia crescer e que, talvez, eu te despertasse algo. E de fato, parece que eu despertei alguns anos depois. Era pra ter sido o nosso tempo, mas eu me neguei. Achei que você não merecia ou que queria jogar comigo de novo. Essa desconfiança eu nunca deixei de ter até falar com a sua mãe e com os seus amigos. Mas aí era tarde. Nosso tempo, que estava prestes a começar, acabou. Então eu me lembro de como tudo que eu realmente desejei nessa vida eu consegui. E de como, apesar de me sentir um incapaz muitas vezes, sempre houveram coisas que eu SABIA que era totalmente plausíveis e que bastava eu investir algum tempo e esforço para conseguir. De fato. Foi assim com você. Foi assim com a faculdade que faço. Foi assim com os empregos que consegui. Tudo que eu realmente quis, eu consegui. É um problema. Fiquei mimado, achando que o universo sempre me dá o que eu quero. Lei da Atração, dizem. Mas, ora, acho que ela não funciona dessa vez.
A morte, intransponível. A morte. Tão forte. Tão bruta. Tão aleatória. E eu não posso fazer nada quanto a ela. Só desejo. Só desejo você de volta. É idiota pensar em "ir atrás" de você. Não tenho idéia do que acontece.
A falta que você faz, agora, eu nunca senti por nada. Para todas as faltas que eu senti na vida, eu consegui preencher com algo. Com milhões de passos até reverter a situação, com textos, com músicas, com livros, com jogos, apenas para não ver o tempo passando enquanto os resultados não chegavam.
Mas e agora? Nenhum tempo é suficiente pra você chegar aqui. O tempo, que agora passa mais lento. O tempo, que ainda tenho tanto.
Você morreu, e eu ganhei 30 anos de vida.
Você morreu, e os meses passam como anos.
Há muito pra tão pouco de mim. São míseros 25 anos, dos quais apenas uns 10 com lucidez suficiente pra notar as coisas. E desses 10, 9 você esteve em algum lugar da minha cabeça, sendo citada inconscientemente em textos, sendo procurada inconscientemente em outras mulheres, sendo evitada como uma criança evita pisar nos espaços brancos das calçadas (sem a menor razão pra evitar, mas evitando mesmo assim).
Eu nunca seria feliz com você, mas eu tinha que tentar.
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17 de out. de 2011
Estátua Viva de Gente Morta

Eu, que já nem sei se essa saudade é desculpa.
Já nem sei se essa dor é forçada.
Eu, me torturo.
E já nem sei se há motivos
além desses que eu me obrigo a ter.
Ela faz falta, parece.
Pois pra toda música que eu ouço,
eu lembro dela.
Pois pra qualquer mulher bonita que eu vejo,
eu lembro dela.
Por que ela foi a pessoa mais bonita que já me deu bola.
E foi a pessoa mais bonita que eu conheci.
Ninguém chegará aos pés dela,
pois ela está morta.
Mas como eu posso saber se esse é o único motivo
se eu já coloco pessoas vivas em pedestais?
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*.mp3 - Kings Of Leon - Use Somebody
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*.iso - Alan Wake
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Eu, que já nem sei se essa saudade é desculpa.
Já nem sei se essa dor é forçada.
Eu, me torturo.
E já nem sei se há motivos
além desses que eu me obrigo a ter.
Ela faz falta, parece.
Pois pra toda música que eu ouço,
eu lembro dela.
Pois pra qualquer mulher bonita que eu vejo,
eu lembro dela.
Por que ela foi a pessoa mais bonita que já me deu bola.
E foi a pessoa mais bonita que eu conheci.
Ninguém chegará aos pés dela,
pois ela está morta.
Mas como eu posso saber se esse é o único motivo
se eu já coloco pessoas vivas em pedestais?
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29 de set. de 2011
Não Sou Et Cetera

Diversidade enorme.
Negros, índios, nipônicos.
Classe baixa, classe média, classe alta.
Público, privado.
Cabeludos e carecas
Cabelos lisos ou ondulados.
Barba. Bigode.
Grandes e pequenos.
Quando serei eu?
Tem confiança pra ficar nu na minha frente,
pois sabe que eu não faria nada.
Mas me deixa sonhar.
Só, me deixa sonhar.
Não me deixa sonhar, te peço,
me deixa ser.
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*.mp3 - INXS - By My Side
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Diversidade enorme.
Negros, índios, nipônicos.
Classe baixa, classe média, classe alta.
Público, privado.
Cabeludos e carecas
Cabelos lisos ou ondulados.
Barba. Bigode.
Grandes e pequenos.
Quando serei eu?
Tem confiança pra ficar nu na minha frente,
pois sabe que eu não faria nada.
Mas me deixa sonhar.
Só, me deixa sonhar.
Não me deixa sonhar, te peço,
me deixa ser.
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26 de set. de 2011
Cult Of You

Are you human?
Do you cry?
I'd like to be there
when you really need a shoulder.
But you seem so self-satisfied,
I can't even imagine you needing someone.
I can't imagine you giving cute laughs.
I can't imagine you sighing.
Wish you count on me,
so I can see how human you are.
Wish you could show me your flaws,
so I can stop this cult of you.
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Are you human?
Do you cry?
I'd like to be there
when you really need a shoulder.
But you seem so self-satisfied,
I can't even imagine you needing someone.
I can't imagine you giving cute laughs.
I can't imagine you sighing.
Wish you count on me,
so I can see how human you are.
Wish you could show me your flaws,
so I can stop this cult of you.
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